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terça-feira, 7 de abril de 2009

Esresse e Atividade Física

Estresse não combina com exercício

Complementos

O corpo todo é afetado pelo estresse durante o exercício

Atividade física não deve ser obrigação

Extras

ANIMAÇÃO - A atividade física e o estressado

ANIMAÇÃO - O que o exercício e estresse fazem com quem já tem problemas

Fique frio antes de malhar
Hoje você está estressado? Se a resposta for sim, não faça atividade física. Você ouviu que suar a camiseta ajuda a relaxar. Mas se exercitar com a cabeça quente pode provocar de lesões a falta de ar.

Trânsito engarrafado, bronca do chefe, falta de dinheiro não há quem não fique tenso diante de situações tão adversas. O corpo, claro, sente o baque. O coração bate acelerado, a respiração fica curta, os músculos se enrijecem. Nessas horas, para aliviar a irritação, muita gente corre para o parque ou para a academia. E, de fato, uma boa ginástica ajuda o organismo a se livrar da adrenalina e do cortisol, os conhecidos hormônios do estresse que ficam dando sopa na circulação quando você está à beira de um ataque de nervos.

No entanto, o tiro pode sair pela culatra. "As pessoas tendem a canalizar toda a contrariedade na malhação e correm o risco de se machucar", alerta a psicóloga desportiva Mara Raboni, da Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp. "Atendo muitos casos desse tipo no meu consultório", confirma o traumatologista e médico do esporte Samir Salim Daher, da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte.

O fisiologista Raul Santo, do Cemafe, Centro de Medicina da Atividade Física e do Esporte, da Unifesp, explica por que fazer exercícios no auge do estresse é uma péssima idéia: "A adrenalina que já está no corpo inteiro tensiona os músculos. E aí um movimento um pouco mais forte é suficiente para provocar uma lesão" . Até mesmo a visão periférica é afetada quando as tensões se acumulam e você teima em praticar um esporte. O que isso significa? Você simplesmente deixa de enxergar o que está acontecendo à sua volta. Em uma partida de futebol, por exemplo, o risco de choque corporal com outro jogador é grande.

Estresse e a Obesidade

O estresse e a obesidade

Volto a falar sobre aspectos psicoquímicos do controle de peso e da relação entre estresse e ganho de peso. O raciocínio imediato é que o estresse gera ansiedade, que, por sua vez, faz as pessoas exagerarem na comida. De fato, a chamada compulsão alimentar muitas vezes ocorre em períodos de ansiedade. Porém, mesmo sem comer mais algumas pessoas podem ganhar peso. É que o organismo estressado fabrica uma substância chamada cortisol, que os leigos conhecem por cortisona. E o cortisol faz engordar, não só porque aumenta o apetite. Ele estimula a produção de células de gordura e as torna mais infladas, além de inibir a queima das que estavam estocadas.

Ocorre com freqüência que pessoas muito aflitas para emagrecer não conseguem fazê-lo justamente por causa da ansiedade. E é possível que uma das explicações para esse fenômeno seja a elevação dos níveis de cortisol. De qualquer maneira, a lição é esta: preocupese com o seu excesso de peso, mas tente não se estressar demais com ele.

Estresse favorece ao Câncer

É um sobe-e-desce perigoso. Quando o estresse aumenta a imunidade vai lá para baixo e elevam-se os riscos de o corpo adoecer. Dessa gangorra surgem gripes, dores de cabeça, mal-estar... Até aí nenhuma novidade. Mas nos Estados Unidos os especialistas do M.D. Anderson, centro de pesquisa sobre câncer ligado à Universidade do Texas — um dos maiores pólos mundiais de investigação dessa doença —, notaram que o estresse desencadeia outro arriscado efeito dominó capaz de acelerar o desenvolvimento de células malignas no organismo.

Para chegar a essa conclusão a equipe comandada pelo oncologista Anil Sood injetou células cancerosas em camundongos. Eles então observaram como a doença evoluía entre as cobaias estressadas e aquelas poupadas de situações de tensão. No grupo de roedores submetidos a várias horas de confinamento por dia — experiência que os deixava nervosos pra valer — os tumores cresceram de duas a três vezes mais rápido em comparação com os que viviam em clima de relax. O câncer ainda se espalhou pelo fígado e pelo baço nos animais estressados. Nos camundongos da turma do sossego a doença não só avançou lentamente como deixou de invadir outros órgãos.

IMAGEMTXTOlhando os tumores de perto, os oncologistas perceberam o que estava acontecendo. "Quando o estresse chega a níveis crônicos, aumenta a quantidade de hormônios adrenérgicos, da família da adrenalina", explica Anil Sood em entrevista à SAÚDE!. "Descobrimos que essas substâncias se unem a receptores nas células do tumor, acelerando o surgimento dos vasos sangüíneos que o alimentam para crescer." A descoberta acaba de ser publicada na conceituada revista inglesa Nature Medicine e reacende o debate: será que o estresse pode mesmo causar o câncer?

"Já se imaginava que a tensão constante pudesse prejudicar a resposta imunológica", comenta a médica Nise Yamagushi, presidente da Sociedade Paulista de Oncologia. "Mas o fato de ela agir na célula tumoral é um dado novo." Para o oncologista Daniel Luiz Gimenez, do Hospital do Câncer de São Paulo, a pesquisa do M.D. Anderson é um passo importante para estabelecer os elos químicos entre mente e corpo. "Mas é bom lembrar que nem sempre o que acontece em animais pode ser reproduzido em humanos", pondera.

O próprio Amil Sood, coordenador do estudo, lembra que ele e seu time não descobriram que estresse causa câncer, mas que é capaz de agravar a doença. Sua investigação revelou outro dado importante: quando os animais estressados foram tratados com propalonol, um medicamento indicado para a hipertensão porque diminui a contração dos vasos provocadas pelos hormônios do estresse, os tumores pararam de crescer e proliferar. "Se uma droga como essa é capaz de bloquear o efeito do estresse no tumor e interromper sua evolução, ela poderá se tornar muito útil no futuro", diz Sood.

Estresse e as Plantas

Plantas para enfrentar o estresse
Elas fortalecem suas defesas, melhoram o funcionamento do cérebro e ainda acabam com o cansaço.
por Anderson Moço | design Giovanni Tinti | ilustrações Nelson Provazi
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Imagine-se dias antes daquela reunião de trabalho tomando uma fórmula à base de plantas para controlar o nervosismo, raciocinar com clareza e expor suas idéias com desenvoltura. Em tese isso até é possível. E, fique bem claro, ninguém está defendendo beberagens com promessas milagrosas nem mezinhas da vovó. A idéia é lhe apresentar um grupo de plantas cada vez mais investigadas — as espécies adaptógenas.

Esse adjetivo não é à toa. Elas são rotuladas assim pelos cientistas porque têm a capacidade de adaptar o organismo a situações, digamos, não muito fáceis — e você, na certa, sabe que o dia-a-dia está recheado delas. "Como essas plantas atuam na resposta do corpo ao estresse, acabam estimulando o sistema imune contra as infecções e ainda melhoram o raciocínio e a memória", resume o biomédico Fúlvio Rieli Mendes, da Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp.

A lista das adaptógenas é enorme. No Brasil, afirmam os pesquisadores, há mais de 40 espécies com esse efeito, tais como catuaba, carqueja, erva-desanta- maria, damiana e erva-mate, só para citar algumas. Isso sem falar em frutos 100% nacionais que também são ricos em compostos adaptógenos, como o cacau, o açaí, o guaraná, o buriti e o jatobá.

A planta antiestresse mais famosa de todas, porém, é a Panax ginseng, que não é nativa daqui. Ela veio da Coréia e é um dos fitoterápicos maisconsumidos no planeta — um planeta, por sua vez, cada vez mais estressante, onde imperam as pressões e não faltam más notícias. SAÚDE!, porém, traz uma boa nova: algumas das adaptógenas tipicamente brasileiras não fi cam nada a dever à celebridade coreana.

Estresse Mata Neurônios

MATÉRIA

Estresse mata os neurônios
Excesso de trabalho, medo da violência, irritação com o trânsito. Tudo isso provoca uma inflamação que pode levar as células cerebrais à morte
por Anderson Moço | design Thiago Lyra| ilustrações Caco 7
Que viver estressado favorece uma série de encrencas no corpo inteiro, de diabete a problemas cardiovasculares, passando por depressão e até mesmo infertilidade, já está mais do que comprovado. Agora, cientistas de dois importantes centros de pesquisa paulistanos, a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), descobriram mais um efeito nocivo — para não dizer devastador — das reações orgânicas ao estado de tensão permanente: uma inflamação no cérebro. Mais precisamente no hipocampo, área da massa cinzenta associada à memória, e no córtex frontal, responsável pelos nossos raciocínios mais complexos. Isso pode, com o tempo, levar os neurônios à morte.

IMAGEMTXTOs danos causados pelo desaparecimento gradual dessas células nervosas vão de pequenos lapsos de memória até doenças degenerativas, como os males de Alzheimer e Parkinson. O estresse, claro, em princípio não existe para nos atacar — ao contrário, seria uma reação de defesa do organismo diante de um perigo iminente, despejando substâncias que preparam o corpo para fugir ou lutar. E nem precisa ser uma ameaça tão aterrorizante quanto a que enfrentava o homem primitivo diante de um animal selvagem. Pequenos sustos no dia-a-dia ou viver com a cabeça mergulhada em problemas podem disparar a mesma cascata hormonal. E, se isso se torna freqüente... A ameaça do estresse é tão séria que os pesquisadores alertam: tem mais chances de preservar seus neurônios quem consegue levar uma vida sem grandes sobressaltos. Até parece um contra-senso, mas o cortisol, hormônio que o corpo secreta em situações estressantes, é capaz de funcionar como um potente antiinflamatório. Em pequena quantidade, bem entendido. "Senão, o efeito é exatamente o oposto", ressalta o neurofarmacologista Cristoforo Scavone, chefe do estudo da USP. Em altas doses, esse hormônio aciona uma proteína chamada fator de transcrição kappa B no interior das células cerebrais. Essa substância, por sua vez, ativa três genes responsáveis pela produção de proteínas associadas à inflamação, que também podem leválas à morte por cansaço.

Quando as tensões acumuladas ultrapassam o limite do suportável, o corpo acusa o golpe, assim como a mente. "O medo e a ansiedade tiram de cena o pensamento lógico e podem levar o indivíduo a imaginar situações de pânico", lembra uma das
maiores especialistas brasileiras em estresse, a psicóloga Marilda Lipp, da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, no interior paulista.

Infelizmente, hoje em dia nem mesmo quem mora longe das metrópoles está livre de fantasiar um assalto ao sair de um caixa eletrônico, por exemplo, desencadeando o chamado estresse por antecipação - uma forma, aliás, que acomete exclusivamente os pobres e estressados seres humanos. Os outros animais só sofrem diante de perigos reais, como fi car cara a cara com o predador. "É o preço que pagamos por sermos inteligentes", provoca a farmacologista Carolina Demarchi Munhoz, uma das autoras do estudo feito na USP, hoje atuando na Universidade Stanford, nos Estados Unidos. Se é assim, por triste ironia, é a inteligência que está destruindo os nossos neurônios. Melhor seria usá-la para tocar a vida de um jeito mais sábio — quer dizer, mais calmo.

PRESERVE A SUA MENTE

COMA DIREITO
E capriche nas porções de fr utas, legumes e de peixes, como o salmão e o arenque. Um estudo realizado por pesquisadores franceses revela que uma dieta rica em ômega-3, presente nos pescados de água fria, aumenta a produção dos neurotransmissores relacionados à disposição e ao bom humor.

FAÇA EXERCÍCIOS
Praticada apenas três vezes por semana, por no mínimo 20 minutos, a atividade física já mostra seu impacto no cérebro: diminui a ansiedade, a tensão e a fadiga.

PROCURE MEDITAR
Dedicar alguns minutos do dia à meditação ajuda o corpo a combater os efeitos do estresse. A técnica transcendental regula a reação às tensões — seus resultados são muito semelhantes aos da prática de exercícios físicos.

BEIJE, ABRACE, AME
Segundo psicólogos da Universidade de Wisconsin, dos Estados Unidos, o contato físico com pessoas nas quais confiamos atua positivamente sobre os neurônios em situação de ameaça. Os cientistas também concluíram que, quanto mais consolidada estiver uma relação amorosa, maior é o alívio da tensão emocional.

FIQUE EM CONTATO COM A NATUREZA
Sabemos, intuitivamente, que ficar em ambientes repletos de plantas, por exemplo, faz bem à saúde. A simples contemplação de uma bela paisagem traz renovação física e mental. Essa observação, aliás, é de pesquisadores da Univer sidade de Uppsala, na Suécia, que investigam o que pode apressar a recuperação do estresse.


O CÉREBRO EM DEFESA
Como sua cabeça despeja hormônios no corpo quando percebe qualquer risco



EFEITO GRADATIVO
A intensidade do estresse e o tempo de exposição a essa tensão constante levam a mudanças na estrutura das células nervosas capazes de matá-las.

IMAGEMTXT

O CÉREBRO INDEFESO
Quando os hormônios do estresse nunca dão um tempo, os neurônios acabam se matando


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Três Estratégias contra o Estresse

Engarrafamentos, reprovações na faculdade, problemas profissionais, espera no aeroporto... Levante a mão quem nunca ficou com os nervos à flor da pele diante de uma dessas situações. Felizmente, há formas de evitar que seu pavio fique ainda mais curto. Tudo depende de como a gente lida com os acontecimentos.

É o que prega a terapia cognitiva comportamental, hoje uma das linhas da psicologia mais em voga quando o assunto é tratamento do estresse. De acordo com essa corrente, os eventos em si não são estressantes. Na verdade, é a forma como os encaremos que pode ou não deflagrar toda a tensão. SAÚDE! conversou com José Roberto Leite, especialista na terapia e professor da Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp. Abaixo, ele recomenda três estratégias para você não se tornar refém do estresse no dia-a-dia. Veja quais são elas:

Respire fundo
Esse simples ato pode ajudá-lo a ficar imune às explosões de mau humor. O método mais indicado é a respiração diafragmática, aquela na qual a gente utiliza o diafragma, músculo localizado na base dos pulmões. Veja como realizá-la:

Coloque a mão na barriga e inspire, expandindo-a e contando até quatro. Após segurar um pouco o ar, solte-o muito lentamente, contando até seis. Isso fará com que o seu coração bata num ritmo mais calmo. É bem provável que você fique relaxado e tenha uma leve sonolência.

Problemas Relacionados com o Estresse

Transtorno de Ansiedade Generalizada
Qualquer probleminha vira um problemão para aqueles que sofrem desse mal. "A preocupação com tudo é tão forte que o indivíduo acorda e vai dormir ansioso ", explica o psiquiatra Leonardo Gama Filho, chefe do serviço de saúde mental do Hospital Lourenço Jorge. Tanta ansiedade traz consequências inconvenientes. O portador do transtorno geralmente tem sono agitado , sente o coração bater acelerado e o suor escorrer pela testa a todo momento e os músculos doem como se o corpo todo estivesse travado.

Pânico
Uma crise de ansiedade aparece sub i tamente e passa depois de uns vinte minutos. É a síndrome do pânico. E nem precisa de um fator desencadeante, como uma situação de forte tensão. Novamente, quem sente é o coração, que bate tanto que parece querer sair pela goela. Tontura, falta de ar e uma enorme sensação de desconforto por todo o corpo acompanham a crise.

Fobias
São aqueles medos exagerados de aranhas, por exemplo, ou de ficar muito tempo em lugares fechados. A aversão é tamanha que a vítima evita ao máximo a exposição a situações em que o desespero pode dar as caras. Há também a chamada fobia social. " A pessoa se afasta do convívio com estranhos por medo de ser ridicularizada. É uma timidez doentia", comenta Leonardo.

Transtorno de estresse pós-traumático
Trata-se de um mal cada vez mais comum nos grandes centros urbanos. Isso porque ele costuma aparecer, como o próprio nome sugere, depois de uma experiência traumática, como um assalto ou um acidente de carro. " Quem passou por uma situação dessas revive o acontecimento em sonhos , mesmo acordada", diz o psiquiatra. O sofrimento chega a ser tanto que pode levar a um quadro de depressão profunda.

Estresse pode alterar o DNA

Há quem diga que o excesso de estresse no cotidiano pode até mesmo alterar o DNA. A conclusão, bastante controversa, vem da Universidade de Linköping, na Suécia, onde um grupo de cientistas fez experiências com galinhas. No local em que algumas delas estavam abrigadas a luz se acendia e se apagava a torto e a direito. Quando havia claridade todas se afobavam atrás de comida, temendo um repentino apagão.

Já o restante das aves não foi submetido a tamanha estafa. No galinheiro em que estavam a claridade era constante por 12 horas ininterruptas e a outra metade do dia era só escuridão. O experimento durou exatos 225 dias. O suficiente para os pesquisadores observarem que o grupo das galináceas sob estresse desenvolvera certa dificuldade espacial e de aprendizado — elas andavam de um lado para outro totalmente desorientadas. O problema não afetou as moradoras do outro galinheiro.

Mais tarde os filhotes de ambos os grupos foram criados separados das mães. Aí, então, os estudiosos verificaram que, mesmo vivendo em condições normais e separados das genitoras, os descendentes dos animais estressados tinham as mesmas dificuldades maternas de orientação e aprendizado.

Mais: 31 genes da turma dos desorientados haviam sido modificados. Ou seja, os pintinhos literalmente herdaram nervos à flor da pele. “O resultado demonstra que mudanças de conduta interferem no padrão genético do indivíduo e, conseqüentemente, podem ser transmitidas de uma geração para outra”, afirma o biólogo Per Jensen, um dos autores do estudo.

Estresse dentro de casa

É só um exemplo. O pai chega bufando do trabalho, morto de cansaço. A mãe, assim que o vê entrar, vai logo reclamando dos problemas da casa e o filho, ansioso, exige atenção para o desenho que fez na escola. É praticamente certo que o homem não dê bola para nenhum dos dois. Afinal, ele teve um dia difícil. “Nessa hora é bom dar um tempo até a pessoa relaxar. Por outro lado, é importante ouvir o que a meninada tem a dizer toda vez que puxa conversa”, aconselha a psicóloga clínica Jadete Calisto, de São Paulo. Os pais são a primeira referência da criança, que vai reproduzir em sociedade o comportamento que vê em casa. Enervar-se à toa pode ser apenas um jeito de imitar o papai estressado.

Estresse é Genético

Estresse é genético?


Problemas relacionados ao estresse

Filho de estressado...
...estressadinho é! O comportamento típico de quem está sempre com os nervos à flor da pele pode ser determinado pelos genes. Uma boa saída é ter consciência disso e não esquentar a cabeça.
por Samuel Ribeiro | design Eder Redder | Ilustrações Daniel Bueno
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O cabelo é da mãe e os olhos, sem a menor dúvida, são do avô. Mas esse jeito meio irritadiço e ansioso com certeza ele puxou do pai. Pois é, no caldeirão de genes que se derrama, por assim dizer, da família para os descendentes, alguns ingredientes vão além das características físicas do rebento. A mistura genética determina a predisposição para desenvolver vários problemas desagradáveis da miopia ao colesterol alto e até, veja só, aspectos comportamentais, como aqueles esboçados por quem parece viver estressado por qualquer bobagem.

Mas que fique claro: "Não estamos falando aqui daquela sensação de alerta que nos prepara para reagir de pronto diante de situações de tensão ou risco uma resposta natural do organismo", explica o psiquiatra Leonardo Gama Filho, chefe do Serviço de Saúde Mental do Hospital Municipal Lourenço Jorge, no Rio de Janeiro. A história aqui é de quem fica constantemente desgastado com fatos insignificantes ou se preocupa além do normal no dia-a-dia. Pode ser mesmo uma herança maldita.

Consequências no Organismo

Conseqüências no Organismo

O estresse pode afetar o organismo de diversas formas e seus sintomas podem variar de pessoa para pessoa. Existe uma sensibilidade pessoal que reage quando enfrentamos um problema, e essa particularidade explica como lidamos com situações desafiadoras, decidindo enfrentá-las ou não.
Não são só situações ruins que nos deixam estressados. Todas as grandes mudanças que passamos na vida são situações estressantes, mesmo se elas forem boas e que esteja nos fazendo felizes.

A necessidade de ajuste deixa o organismo preparado para "lutar ou fugir", aumentando a pressão arterial e e frequência cardíaca, e contraindo músculos e vasos sanguíneos. Na natureza esta adaptação é necessária visto que o animal precisa tomar uma decisão rápida de defesa ou ataque, mas em se tratando de seres humanos que convivem com diversas situações estressantes, esta reação pode ser prejudicial.

O excesso de estresse pode causar desde dores pelo corpo e queda de cabelo até sintomas sérios como hipertensão e problemas no coração.
O fato de um evento emocional como o estresse afetar o organismo se deve ao íntimo relacionamento entre o sistema imunológico (defesa), sistema nervoso (controle) e sistema endócrino (hormonal). Por isso um estresse intenso pode afetar qualquer um desses sistemas levando à diversidade dos sintomas do estresse.

Sintomas Gerais

Aqui são apresentadas reações gerais, mas mais informações sobre como o estresse afeta o organismo e sobre a gravidade dos sintomas podem ser encontradas no Teste seu Estresse.

Físicos

Dores de cabeça
Indigestão
Dores musculares
Insônia
Indigestão
Taquicardia
Alergias
Insõnia
Queda de cabelo
Mudança de apetite
Gastrite
Dermatoses
Esgotamento físico

Psicológicos

Apatia
Memória fraca
Tiques nervosos
Isolamento e introspecção
Sentimentos de perseguição
Desmotivação
Autoritarismo
Irritablilidade
Emotividade acentuada
Ansiedade


Curiosidades

Estresse social pode matar

Pesquisadores americanos descobriram que o estresse social pode dar início a um processo de destruição do sistema imunológico, levando à morte. Esta foi a conclusão de uma pesquisa feita com ratos, onde detectou-se que o estresse pode estimular à inflamações perigosas. A descoberta, de acordo com os pesquisadores, pode ser muito importante para os seres humanos.

Estresse diminui assiduidade no trabalho

Uma pesquisa publicada na Grã-Bretanha mostra que o estresse está levando os funcionários de empresas a faltarem cada vez mais ao trabalho. O estresse é mais intenso entre pessoas na faixa etária de 35 a 44 anos. O problema aumenta ainda mais entre pessoas que permanecem no mesmo emprego por muito tempo. Os mais estressados estão nas profissões de enfermagem e no magistério. O professor Cooper recomenda que os gerentes de empresas "elogiem e recompensem" seus funcionários ao invés de puní-los, para que o estresse no ambiente de trabalho diminua.

Estilo de vida - Estresse

Uma pesquisa divulgada pela Fundação Britânica para o Coração - British Heart Foundation - mostra que o risco de doenças cardíacas é maior do que se esperava para as mulheres que levam vida sedentária. O estresse no trabalho, a depressão e a falta de alimentação adequada são os principais fatores que levam a ataques cardíacos. As estatísticas da Fundação para o ano 2000 indicam que o estresse no trabalho - que afeta pelo menos um terço dos homens e mulheres - e a depressão podem prejudicar o coração, mas muita gente acaba piorando as coisas ao tentar buscar alívio. "Fumar, consumir bebidas alcoólicas, alimentos gordurosos, passatempos como assistir à TV, infelizmente são fatores de risco que podem aumentar maciçamente o risco de problemas cardíacos", disse o Professor Andrew Stepped, indicado pela Fundação Britânica do Coração para participar do estudo. Ficar se apressando para ir ao trabalho no dia a dia não é o suficiente. Não é que as pessoas têm que começar a jogar squash imediatamente. Ir à pé de casa até a estação de trem e voltar de novo pra casa à pé pode dar às pessoas a meia hora de exercício físico diário de que elas precisam", disse uma porta-voz da British Heart Foundation.

Pesquisa mostra que homens são mais predispostos ao estresse

Uma pesquisa da Universidade de Cambridge mostra que homens podem ser naturalmente mais predispostos ao stress, mesmo antes do nascimento.A pesquisa mostra que a razão pode ser o maior índice do hormônio cortisona entre os homens do que entre as mulheres.Cientistas examinaram os níveis do hormônio em fetos de carneiros e verificaram que os níveis do cortisona são maiores entre os machos do que entre as fêmeas. Eles acreditam que a descoberta, apresentada no encontro anual da Sociedade de Endocrinologia britânica, também pode ser aplicada aos seres humanos e pode explicar porque os dois sexos reagem de forma diferente ao stress. "Há muito tempo nós sabemos que homens e mulheres respondem de forma diferente a condições de stress", explicou o chefe do estudo, doutor Dino Giussani. "Pensava-se que os motivos eram ambientais, mas agora nós mostramos que essas diferenças são determinadas desde o nascimento", afirmou. O estudo com carneiros mostrou que os machos tinham o dobro de cortisona do que as fêmeas. "Este trabalho também mostra que o sexo masculino pode ser mais predisposto do que o feminino a reagir de forma exagerada a condições de stress mais tarde", disse. Giussani disse que o estudo vai agora continuar com fetos humanos.

Estresse no trabalho, dor nas costas

Uma rotina de trabalho estressante pode ser a causa da dor nas costas de muita gente. Um estudo da Universidade do Estado de Ohio, nos Estados Unidos, mostra que as pessoas estressadas acabam usando os músculos errados na hora de pegar alguns objetos. Se essa pessoa for levantar algo pesado, pode acabar com uma dor nas costas. Além disso, os pesquisadores acreditam que algumas pessoas com certos tipos de personalidade têm maior tendência a dores nas costas. Esse é o caso das pessoas mais introvertidas - descoberta que deixou intrigados os cientistas.

Estresse e cafézinho


Tomar muito café prejudica a produtividade no trabalho, de acordo com uma pesquisa encomendada por uma fábrica de água mineral.Segundo os pesquisadores, o consumo de 3,5 xícaras de café acarreta lapsos de concentração e ajuda a aumentar o stress. Os resultados da pesquisa também condenam o excesso de chá, que, de acordo com os pesquisadores contratados pela fabricante de água mineral Volvic, produz efeito similar aos do café por meio do aumento do nível de cafeína no organismo. A pesquisa foi feita com mil pessoas que trabalham em escritórios. Desse total, 76% disse que tomava café, chá ou refrigerantes que contêm cafeína pelo menos três vezes por dia.

Estresse e cocaína

Estudos realizados nos últimos anos sobre a iniciação, manutenção e recaída no uso de cocaína ou morfina demonstraram que o estresse é uma variável importante nesse processo. No entanto, pesquisa realizada recentemente no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, conseguiu aprofundar a análise e demonstrou que não é qualquer tipo de estresse que pode potencializar o uso de drogas. A farmacêutica Ana Paula Natalini de Araujo defendeu no ICB a tese Aspectos comportamentais e moleculares da sensibilização cruzada entre estresse e cocaína. O objetivo do trabalho foi avaliar a sensibilização cruzada entre estresse e cocaína, bem como os mecanismos neurais envolvidos no processo. Utilizando ratos de laboratório, Ana Paula trabalhou com dois grupos: um exposto ao que ela chama de estresse previsível (EP) e outro exposto ao estresse imprevisível (EI). "O EP é aquele cujos estímulos estressores são sempre os mesmos. Já no EI, há uma variação" explica. Com isso, foi possível determinar como a dependência de cocaína nesses animais diferencia-se pelo tipo de estresse vivido. "Desta forma, percebemos como o EP aumenta os efeitos da droga", conta. O resultados mostraram que somente os animas expostos ao EP aumentaram a locomoção induzida pela cocaína se comparada à atividade dos animais controle (que não receberam estresse). "Esse aumento da atividade locomotora é chamado de sensibilização comportamental cruzada entre estresse e cocaína", explica, acrescentando que "isso sugere que o EP 'potencializou' os efeitos da cocaína, ou seja, o desenvolvimento da sensibilização comportamental cruzada entre o EP e cocaína indica que a exposição a ele aumenta a propensão da vulnerabilidade ao abuso da cocaína".

Tratamento do Estresse

Tratamentos

Tratamentos convencionais

Remédios
Somente um proficional poderá indicar o melhor rémedio para cada caso, porém os mais utilizados são: calmantes, anti-depressivos entre outros.


Alimentação
Durante o processo de estresse, o organismo perde muitas vitaminas e nutrientes, portanto para repor essa perda é recomendado comer muitas verduras e frutas, pois são ricas em vitaminas do complexo B, vitamina C, magnésio e manganês. Brócolis, chicória, acelga e alface são ricos nesses nutrientes. O cálcio pode ser reposto com leite e seus derivados.


Atividade Física
Qualquer atividade física proporciona benefícios ao organismo, melhorando as funções cardiovasculares e respiratórias, queimando calorias, ajudando no condicionamento físico e induzindo a produção de substâncias com caráter relaxante e analgésico, como a endorfina.
Segundo pesquisas realizadas na UNIFESP-EPM,a atividade física masi eficaz é a natação, pois além de obter todos os benefícios do esporte, tem menores riscos de lesões.
Tratamentos não convencionais

Medicina alternativa cosiste em tratamentos não convencionais, ou seja, não há uso de remédios ou cirurgia. Entre estes tratamentes alternativos podem ser citados: fitoterapia, acupuntura, cromoterapia, reike, entre outros. Alguns deles não são aceitos na comunidade científica ou por médicos. Apesar disto, em algumas pessoas estes tratamentos podem ter um efeito placebo. Esse efeito consiste em uma modulação psíquica do sistema imunológico.

Fitoterapia
Este é um tratamento feito com plantas. Apesar de natural, dependendo da dose pode causar intoxicação. Algumas plantas recomendadas para o combate ao estresse são: melissa, rosa branca, valeriana, maracuja.


Acupuntura
Esta é uma técnica chinesa que consiste em aplicações de agulhas em locais específicos do corpo estimulando neurônios que ativam vários sistemas, como endócrino e o imunológico. Isto tem como resultado uma melhora geral do corpo.


Reike
É uma técnica japonesa que consiste em reequilibrar a energia do corpo. As trocas de energias são feitos entre as mãos e pontos energéticos específicos (xácaras).


Massagem
Há várias técnicas de massagem, dentre elas podem ser citadas shiatsu, quick massage dentre outras. Todas as técnicas de massagem tentam promover um equilíbrio físico, mental e energético.


Dança Bioenergética
Através de movimentos de expressão corporal, cria-se um processo de harmonia com o corpo, mente e espírito.


Aromoterapia
É um tratamento feito a base de odores. Alguns odores causam prazer ajudando a restabelecer a saúde.


Cromoterapia
É um tratamento feito com cores. As ondas eletromagnéticas que as cores emitem, ativam a imaginação, trazendo uma reação positiva ao organismo. As cores indicadas para o estresse são: verde, violeta e azul.

Teste seu Estresse

Teste
A evolução do estresse se dá em três fases: alerta, resistencia e exaustão. Neste teste é avaliada em que fase o seu estresse se encontra com base em alguns sintomas que costumam estar relacionados a cada uma delas. É importante alertar que as formas pelas quais o estresse se manifesta podem mudar muito de pessoa para pessoa e que este teste é apenas uma referência. Em caso de dúvida deve-se procurar um médico para um aconselhamento mais preciso..

Fase de alerta
A primeira fase ocorre quando o indivíduo entra em contato com o agente estressor e o seu corpo perde o seu equilibrio. Tem-se os seguintes sintomas:

Mãos e/ou pés frios
Boca seca
Dor no estômago
Aumento de sudorese
Tensão e dor muscular por exemplo na região dos ombros
Aperto na manidíbula/ranger os dentes ou roer unhas/ponta da caneta
Diarréia passageira
Insônia
Taquicardia
Respiração ofegante
Hipertensão súbita e passageira
Mudança de apetite
Agitação
Entusiasmo súbito

Se você tem menos que 7 desses sintomas é possível que o seu corpo não esteja sendo afetado pelo estressor. Lembramos mais uma vez que este teste não é muito preciso e que casos de estresse podem se manifestar de formas diferentes.
Se você tem 7 ou mais destes sintomas é provável que já tenha atingido a fase de alerta.
Continue o teste.

Fase da resistência
Na segunda fase o corpo tenta voltar ao seu equilibrio. O organismo pode se adaptar ao problema ou elininá-lo. Tem-se os seguintes sintomas:

Problemas com a memória
Mal-estar generalizado
Formigamento nas extremidades
Sensação de desgaste físico constante
Mudança de apetite
Aparecimento de problemas dermatológicos
Hipertensão arterial
Cansaço constante
Gastrite prolongada
Tontura
Sensibilidade emotiva excessiva
Obsessão com o agente estressor
Irritabilidade excessiva
Desejo sexual diminuido
Se você tem menos que 4 desses sintomas sua fase de estresse é de ALERTA.
Se você tem 4 ou mais destes sintomas você provavelmente já atingiu a fase de alerta e ultrapassou.
Continue com o teste.

A Fase da Exaustão
A exaustão é a terceira fase do estresse. É perigosa pois se tem diversos comprometimentos físicos em forma de doença. Os sintomas são:

Diarréias frequentes
Dificuldades sexuais
Formigamentos nas extremidades
Insônia
Tiques nervosos
Hipertensão arterial confirmada
Problemas dermatológicos prolongados
Mudança extrema de apetite
Taquicardia
Tontura frequente
Úlcera
Impossibilidade de trabalhar
Pesadelos
Apatia
Cansaço excessivo
Irritabilidade
Angústia
Hipersensibilidade emotiva
Perda do senso de humor
Se você teve menos que 9 desses sintomas nos últimos três meses sua fase de estresse é RESISTÊNCIA.
Se você teve 9 destes sintomas nos últimos três meses sua fase de estresse é EXAUSTÃO e deve-se procurar ajuda médica.


Se você se enquadra em alguma das fases aqui mostradas deve-se procurar alguma forma de tratamento adequado. Algumas dicas podem ser encontradas aqui.

Tipos de Estresse

Tipos de Estresse


Entre as principais causas do estresse, devemos citar:

Mudanças: uma certa dose de mudança é necessária. Entretanto, se as mudanças violentas podem ultrapassar nossa capacidade de adaptação.
Sobrecarga: a falta de tempo, o excesso de responsabilidade, a falta de apoio e expectativas exageradas.
Alimentação incorreta: não é apenas importante o que comemos, mas também como comemos.
Fumar: o cigarro libera nicotina que, na fase de menor concentração, já provoca reações de estresse leve, depois bloqueia as reações do organismo e causa dependência psicológica.
Ruídos: coloca-nos sempre em alerta, provoca a irritação e a perda de concentração desencadeando reações de estresse, que podem levar até a exaustão.
Baixa auto-estima: tende a se agravar o estresse nestas pessoas.
Medo: o medo acentua nas pessoas a preocupação sem necessidade, uma atitude pessimista em relação à vida ou lembranças de experiências desagradáveis.
Trânsito: os congestionamentos, os semáforos, os assaltos aos motoristas e a contaminação do ar podem desencadear o estresse.
Alteração do ritmo habitual do organismo: provoca irritabilidade, problemas digestivos, dores de cabeça e alterações no sono.
Progresso: a agitação do progresso técnico é acompanhada de aumento das pressões e de sobrecarga de trabalho, aumentando os níveis de exigências, qualitativas e quantitativas.

São desses estressores que surgem os principais tipos de estresse que abrangem:
Estresse de Trabalho
Estresse decorrentes de doenças cardíacas e do câncer
Estresse na Infância
Estresse de Envelhecimento

Os tipos de estresse são variados e não se restringem aos citados acima. Mas é mais marcante no nosso cotidiano o estresse do trabalho.
O mundo do trabalho mudou com o avanço das tecnologias. Hoje, o profissional vive sob contínua tensão, pois, além de suas habituais responsabilidades, a alta competitividade das empresas exige dele aprendizado constante e enfrentamento de novos desafios, o que faz com que, muitas vezes, supere seus próprios limites. Isso pode levá-lo ao estresse.
O tipo de desgaste à que as pessoas estão submetidas permanentemente nos ambientes e as relações com o trabalho são fatores determinantes de doenças. Os agentes estressores psicossociais são tão potentes quanto os microorganismos e a insalubridade no desencadeamento de doenças. Tanto o operário, como o executivo, podem apresentar alterações diante dos agentes estressores psicossociais.
A ansiedade decorrente das preocupações pode gerar insônia, comer demasiadamente, ou o contrário, comer pouco demais . Duas formas de preocupações se destacam: uma cognitiva, com idéias preocupantes, e outra somática, como sintoma de suor, coração disparado, tensão muscular etc.
O estresse surge quando a pessoa julga não estar sendo capaz de cumprir as exigências sociais, sentindo que seu papel social está ameaçado. Então, o organismo reage de modo a dominar as exigências que lhe são impostas. Entretanto, no mundo moderno, não é socialmente aceitável que o estresse cumpra sua função natural de preparar o indivíduo para a fuga ou para a luta. Tal reação seria considerada inadequada do ponto de vista da adaptação dos seres humanos ante um mundo cheio de conflitos e de pseudo-harmonia. Assim, o homem, ao confrontar-se com um estímulo estressor no trabalho é impedido de manifestar reação, ficando prisioneiro da agressão ou do medo, e é obrigado a aparentar um comportamento emocional ou motor incongruente com sua real situação neuroendócrina. Se durar tempo suficiente essa situação de discrepância entre a reação apresentada e o estado fisiológico real, ocorrerá um elevado desgaste do organismo, o que pode conduzir às doenças.
Alguns estímulos foram classificados, segundo o tempo necessário para produzirem estresse, em estressores de curto prazo e de longo prazo. Entre os estressores de curto prazo temos o fracasso, a carga de trabalho, a pressão de tempo, ameaça, indução do medo etc e, a longo prazo, as situações de competição, serviços em zonas de perigo, trabalho monótono . Maiores informações.
Várias das patologias hoje estudadas pela Medicina do Trabalho têm íntima correlação com o estresse. O desgaste a que pessoas são submetidas nos ambientes e nas relações com o trabalho é fator dos mais significativos na determinação de doenças. Este trabalho não escapa ao conhecimento médico, mas também é fato que o espaço dedicado na anamnese à investigação destes aspectos é pequeno em relação à sua importância.
No câncer há um colapso da imunidade e resistência do organismo. O fato dos tumores crescerem ou não está relacionado com a eficiência dos processos de imunidade. Assim, se o sistema imunológico encontra-se "desequilibrado", a probabilidade do desenvolvimento da doença aumenta. Como o sistema imunológico é também controlado pelo sistema límbico, podemos acreditar que o paciente com câncer apresenta todo um conjunto de elementos psicossomáticos.

Estresse

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Estresse (português brasileiro) ou Stress (português europeu) pode ser definido como a soma de respostas físicas e mentais da incapacidade de distinguir entre o real e as experiências e expectativas pessoais. Pela definição, stress inclui a resposta de componentes físicos e mentais.

O termo estresse foi publicado pela primeira vez em 1936 pelo médico Hans Selye na revista científica Nature. Existem dois tipos de stress: crónico e orgânico.

O stress pode ser causado pela ansiedade e pela depressão devido à mudança brusca no estilo de vida e a exposição a um determinado ambiente, que leva a pessoa a sentir um determinado tipo de angústia. Quando os sintomas de estresse persistem por um longo intervalo de tempo, podem ocorrer sentimentos de evasão (ligados à ansiedade e depressão). Os nossos mecanismos de defesa passam a não responder de uma forma eficaz, aumentando assim a possibilidade de vir a ocorrer doenças, especialmente cardiovasculares.

Também conhecido como um modelo teórico bio-psicossocial.

Índice [esconder]
1 Causas
2 O que é o estresse?
3 Tipos de estresse
4 Conseqüências do estresse
5 O estresse e a baixa da defesa imunológica
6 Tratamento
7 Bibliografia
8 Ligações externas



[editar] Causas
As causas que podem levar as pessoas ao stress:

Dor e mágoa
Luz forte
Níveis altos de som
Eventos: nascimentos, morte, guerras, reuniões, casamentos, divórcios, mudanças, doenças crónicas, desemprego e amnésia.
Responsabilidades: Dívidas não pagas e falta de dinheiro
Trabalho/estudo: provas, tráfego lento e prazos pequenos para projetos
Relacionamento pessoal: conflito e decepção
Estilo de vida: comidas não-saudáveis, fumo, alcoolismo e insônia
Exposição de stress permanente na infância (abuso sexual infantil).
Idade
Calor
O stress pode activar o sistema nervoso simpático e o autónomo e assim liberando em excesso os hormônios incluindo a adrenalina/epinefrina e o cortisol.

• Conseqüências no Organismo: O estresse pode afetar o organismo de diversas formas e seus sintomas podem variar de pessoa para pessoa. Existe uma sensibilidade pessoal que reage quando enfrentamos um problema, e essa particularidade explica como lidamos com situações desafiadoras, decidindo enfrentá-las ou não. Não são só situações ruins que nos deixam estressados. Todas as grandes mudanças que passamos na vida são situações estressantes, mesmo se elas forem boas e que esteja nos fazendo felizes.

A necessidade de ajuste deixa o organismo preparado para "lutar ou fugir", aumentando a pressão arterial e freqüência cardíaca, e contraindo músculos e vasos sanguíneos. Na natureza esta adaptação é necessária visto que o animal precisa tomar uma decisão rápida de defesa ou ataque, mas em se tratando de seres humanos que convivem com diversas situações estressantes, esta reação pode ser prejudicial. O excesso de estresse pode causar desde dores pelo corpo e queda de cabelo até sintomas sérios como hipertensão e problemas no coração. O fato de um evento emocional como o estresse afetar o organismo se deve ao íntimo relacionamento entre o sistema imunológico (defesa), sistema nervoso (controle) e sistema endócrino (hormonal). Por isso um estresse intenso pode afetar qualquer um desses sistemas levando à diversidade dos sintomas do estresse.

• Benefício (segundo os dias de hoje): O estresse tem um importante papel no desempenho de atividades como competições esportivas, reuniões importantes, ou em situações de perigo, em que o estresse pode ser um importante aliado proporcionando um aumento da capacidade física, raciocínio, memória e concentração através de alterações em todo o organismo. Entretanto, se o estresse se torna persistente todo esse aparato biológico pode ser danificado. Algumas condições podem favorecer o aparecimento dos efeitos negativos sobre o organismo: • Um acúmulo de situações persistentemente estressantes, particular-mente aquelas de difícil controle, como a pressão no trabalho, um relacio-namento infeliz. • Estresse persistente seguido de uma resposta aguda a um evento traumático, como um acidente automobilístico. • Um relaxamento ineficiente ou insuficiente. • Um estresse agudo em pessoas com doenças graves.


[editar] O que é o estresse?
O estresse é uma resposta do organismo frente a um perigo, que prepara o corpo para fugir ou lutar. Está presente nos animais com a finalidade de preservação da espécie, como por exemplo, para fugir de um predador. Hoje não precisamos nos defender de predadores, mas há muitas outras coisas que disparam o gatilho do estresse, que podem ser externas ou internas, agudas ou crônicas. A externas incluem condições físicas adversas (como dor, frio ou calor excessivos) e situações psicologicamente estressantes (más condições de trabalho, problemas de relacionamentos, insegurança, etc). Entre as internas estão também as condições físicas (doenças em geral) e psicológicas.

Estresse ou Stress pode ser definido como a soma de respostas físicas e mentais da incapacidade de distinguir entre o real e as experiências e expectativas pessoais. Pela definição, stress inclui a resposta de componentes físicos e mentais. O stress pode ser causado pela ansiedade e pela depressão devido à mudança brusca no estilo de vida e a exposição a um determinado ambiente, que leva a pessoa a sentir um determinado tipo de angústia. Quando os sintomas de estresse persistem por um longo intervalo de tempo, podem ocorrer sentimentos de evasão (ligados à ansiedade e depressão). Os nossos mecanismos de defesa passam a não responder de uma forma eficaz, aumentando assim a possibilidade de vir a ocorrer doenças, especialmente


[editar] Tipos de estresse
O termo estresse foi publicado pela primeira vez em 1936 pelo médico Hans Selye na revista científica Nature. Existem dois tipos de stress: crônico e orgânico.

Todas as pessoas têm estresse. Temos estresse de curto prazo, como quando perdemos o horário do ônibus. Até eventos normais do cotidiano podem ser estressantes. Outras vezes encaramos estresse ao longo prazo, como discriminação, doença incurável ou divorcio. Esses eventos estressantes também afetam nossa saúde em muitos níveis. O estresse de longo prazo pode elevar seu risco de alguns problemas de saúde, como depressão.

O estresse agudo é uma reação a uma ameaça imediata, que pode ser qualquer situação que é experimentada como um perigo. Algumas pessoas, por exemplo, tem verdadeiro pavor de viajar de avião, e quando o fazem, apresentam um estresse passageiro. Na maioria dessas circunstâncias de estresse agudo, uma vez eliminado o fator estressante, a resposta do organismo se inativa e os níveis dos hormônios voltam ao normal. Entretanto, a vida moderna freqüentemente nos expõe a situações cronicamente estressantes, e a resposta do organismo ao estresse não é suprimida. Dentre os fatores estressantes crônicos, estão a pressão no trabalho, problemas de relacionamento, solidão, problemas financeiros e a insegurança.


[editar] Conseqüências do estresse
Tanto o estresse de curto quanto o de longo podem ter efeitos sobre o seu corpo. Estresse dispara mudanças no organismo e aumenta a probabilidade de ficar doente. Ele também piora problemas de saúde já existentes. Estresse pode ter influência nos seguintes problemas:


[editar] O estresse e a baixa da defesa imunológica
Em situação de estresse, o corpo humano reage de diferentes formas. A ativação da glândula hipófise, que fica localizada na região frontal do cérebro, faz liberar hormônios que ativam as glândulas supra-renais - como o próprio nome indica, se localizam na parte superior dos rins - fazendo com que as supra-renais liberem a substância cortisol, e a mesma é lançada na corrente sanguínea. O excesso de cortisol leva a uma destruição das células de defesa, os glóbulos brancos, causando uma baixa na defesa imunológica do organismo, possibilitando a proliferação e desenvolvimento de doenças.

Há ainda o estresse bom, que é gerado quando estamos ansiosos trabalhando por algo que nos trará alguma saciedade ou felicidade futuras, como quando planejamos um casamento, uma viagem, ou estamos na correria para que algo de bom aconteça.

Mas o estresse ruim gera um abatimento ou sensação de pânico, um quadro de exaustão ou fadiga se instala, causando pressão alta, alterações hormonais, de TPM, acúmulo de gordura no organismo.

A angústia causa doenças como gastrite e ao liberar as emoções ruins como a mágoa há um melhoramento geral. Compreender os sentimentos e emoções leva a uma atitude que constrói uma rede que atua da região glandular estendendo-se por todo o corpo.

Pensamentos positivos, exercícios e disciplina são a melhor forma de afastar o estresse.

Mas, como calar essas perguntas?

É considerado uma doença?
É positivo ou negativo para o organismo?

[editar] Tratamento
O tratamento pode ser feito através de remédios e atividade física regular controlada por psicólogos, ou, eventualmente, por profisionais da educação física.


[editar] Bibliografia
Ciociorowski, Emerson: "Executivo, o super-homem solitário" - Editora Idéias e Letras - 2008

sábado, 4 de abril de 2009

Psicopata:você conhece um

reportagem de capa
Psicopata: você conhece um
Estudo mostra que pessoas com desvio de caráter e comportamento problemático podem sofrer de "psicopatia comunitária"
PAULA MAGESTE
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Adolescentes rebeldes, maridos que não param no emprego, mulheres permanentemente endividadas, jovens que não conseguem concluir nenhum curso. Há 15 anos, o consultório do neurologista carioca Ricardo de Oliveira Souza era a última esperança de famílias às voltas com 'pessoas-problema'. O médico conta que seus diagnósticos iniciais eram depressão, transtorno bipolar ou distúrbio de déficit de atenção. 'Cheguei a dizer a uma mãe que o problema do filho dela era falta de limite', arrepende-se. Infelizmente, o veredicto de muitos desses casos é bem mais complexo e deverá causar polêmica - como todas as descobertas relacionadas ao cérebro - a partir do momento em que for apresentado à comunidade científica durante a conferência Neurologia da Violência e da Agressão, de 10 a 12 de junho, no Rio de Janeiro.
Oliveira vai compartilhar com colegas do mundo todo os resultados preliminares de seus estudos sobre o mapeamento das emoções no cérebro, realizado em parceria com o neurorradiologista Jorge Moll Neto. O trabalho é inédito e foi mostrado a ÉPOCA com exclusividade. Oliveira vai apresentar o conceito de 'psicopata comunitário', aquele indivíduo que pode não ser um serial killer, mas causa estrago por onde passa. 'É gente que nunca foi presa, mas que tem muito em comum com os psicopatas mais perigosos, desde traços de comportamento até o funcionamento de circuitos cerebrais', alerta. Podem estar nessa categoria tipos como o malandro golpista 171, o sujeito que não tem emprego e vive de rolo, aquele que cultiva amizades por interesse e descarta as pessoas depois de obter o que deseja, o sujeito que vive de explorar a tia velhinha, o executivo inescrupuloso que desfalca a firma. Este último, também conhecido como psicopata corporativo ou do colarinho-branco, será o tema da conferência, no Rio, de um dos maiores especialistas do mundo, o canadense Robert Hare.
Comportamentos que parecem falhas morais podem ser doençaPouco depois de receber os pacientes-problema em consultório, Oliveira começou a dar atendimento psiquiátrico no Instituto Philippe Pinel e pôde acompanhar de perto psicopatas clássicos, aqueles que violam repetidamente os direitos alheios, sem remorso. Em casos extremos, matam a sangue-frio, com requintes de crueldade, sem medo nem arrependimento. 'Comparei com meus pacientes e vi que existia uma semelhança', conta. Para tirar a prova, Oliveira aplicou o teste de verificação de psicopatia (PCL) elaborado por Hare, e utilizado pelo FBI para diagnosticar serial killers. Constatou que muitos freqüentadores de seu consultório preenchiam vários quesitos do teste, até então utilizado quase unicamente em criminosos. 'Percebi que aquelas pessoas-problema também eram psicopatas. Não faziam picadinho de ninguém, mas agiam de maneira agressiva, sem moral, como parasitas, prejudicando muita gente.'
Nos últimos cinco anos, Oliveira e Moll avançaram nesse mapeamento. Os dois classificaram os principais tipos de agressividade encontrados em 279 pessoas com distúrbios neuropsiquiátricos. Por meio de um teste desenvolvido por Moll, batizado de Bateria de Emoções Morais (BEM), e com a tecnologia da ressonância magnética funcional, concluíram que o cérebro de alguns indivíduos responde de forma diferente da de uma pessoa normal quando levado a fazer julgamentos morais, que envolvem emoções sociais, como arrependimento, culpa e compaixão. Diferentes das emoções primárias, como o medo, que dividimos com os animais, as sociais são mais sofisticadas, exclusivas dos humanos - têm a ver com nossa interação com os outros. Os resultados preliminares do estudo sugerem que os psicopatas têm muito pouca pena ou culpa, dois alicerces da capacidade de cooperação humana. Mas sentem desprezo e desejo de vingança. 'As imagens mostram que há pouca atividade nas estruturas cerebrais ligadas às emoções morais e às primárias e um aumento da atividade nos circuitos cognitivos. Ou seja: os psicopatas comunitários, assim como os clássicos, funcionam com muita razão e pouca emoção', traduz Oliveira.
LISTA DE SINTOMAS Elaborada pelo canadense Robert Hare, ela é um instrumento importante de diagnóstico (seu uso isolado, no entanto, não basta para determinar se alguém é psicopata ou não)
Desembaraço/charme superficial
Sentimentos insuflados de importância pessoal
Busca por estimulação/sensibilidade à monotonia
Mentira patológica
Manipulação e chantagem
Ausência de remorso ou culpa
Emoções superficiais
Ausência de empatia com os outros
Estilo de vida parasita
Controles comportamentais precários
Promiscuidade sexual
Problemas graves de comportamento na infância
Ausência de objetivos de longo prazo
Impulsividade
Irresponsabilidade
Incapacidade de se responsabilizar por suas ações
Casamentos/relacionamentos de curta duração
Delinqüência juvenil
Violação de condicional
Versatilidade criminal
#Q:Psicopata: você conhece um - Continuação:#
É claro que todo mundo tem seu dia de fúria e um pecado para esconder - uma trapaça no jogo, uma mentira, uma baixaria no trânsito. Estar agressivo e violento é muito diferente de ser agressivo e violento ou, em última análise, um psicopata. A doença se caracteriza pela repetição, desde a infância ou há pelo menos dois anos, de atos anti-sociais que lesam os outros, sem remorso nem culpa. 'O psicopata assassino é frio e calculista, mas o comunitário é afável, agradável, sedutor, carinhoso. A gente consegue reconhecê-lo quando algo dá errado e ele fica agressivo', destaca Oliveira.
Essa ampliação do conceito de psicopatia para além dos muros das prisões leva a uma conta pouco animadora. Se a doença, em sua forma mais crônica, afeta 3% da população masculina e cerca de 1% da feminina (mais que o diabetes, com 1% a 2%), os psicopatas comunitários devem ser bem mais numerosos. Além disso, eles passam muito bem por cidadãos comuns com pequenos problemas de conduta ou falhas de caráter. Principalmente em sociedades mais permissivas, como a do Brasil, que, não por acaso, durante muito tempo foi a terra do jeitinho. 'Não acredito que existam mais psicopatas comunitários aqui do que nos Estados Unidos, mas, num sistema que reprime a violência, eles vão ter menos oportunidades', pondera Oliveira. 'Eles fazem a festa justamente onde a estrutura social não é muito definida: em mudanças de regime, como paladinos da justiça; nas igrejas, como sedutores líderes religiosos; na política, nos ambientes ligados ao misticismo.'
MAPEAMENTO DAS EMOÇÕES Indivíduos normais e psicopatas comunitários foram submetidosao teste Bateria de Emoções Morais (BEM) enquantoeram colhidas imagens de seu cérebro por meio deressonância magnética funcional
Quando uma pessoa normal (à esq.) faz julgamentos morais, ativam-se as áreas pré-frontais (laranja e roxo), responsáveis pelos aspectos cognitivos - frios e racionais - do julgamento. Também são ativados o hipotálamo (azul), relacionado às emoções básicas, como raiva e medo, e o lobo temporal anterior (vermelho), ligado às emoções morais, tipicamente humanas. Resultados preliminares mostram que, no cérebro do psicopata (à dir.), diminui sensivelmente a ativação das áreas relacionadas tanto às emoções primárias (azul) quanto às morais (vermelho) e aumenta a atividade nas áreas pré-frontais (laranja e roxo), ligadas aos circuitos cognitivos, de razão pura
Infográficos: Letícia Alves
O estudo de Oliveira e Moll será publicado no fim do ano, e os pesquisadores pensam em criar uma cartilha para ajudar o cidadão comum a reconhecer e se proteger dos até então incógnitos psicopatas comunitários. 'A defesa é negar empréstimos, não deixar que ocupem posições de decisão, não os mandar fazer pagamentos nem lhes confiar objetos de valor', diz Oliveira. Em termos científicos, outro desdobramento seria um teste diagnóstico para detectar precocemente indivíduos com potencial agressivo e violento. 'Pessoas com tendências anti-sociais poderiam ser identificadas e até reabilitadas antes de causar danos', afirma Moll. Mais controvérsia à vista: conhecer os circuitos danificados no cérebro do potencial psicopata permitiria fazer intervenções cirúrgicas e desenvolver drogas que estimulassem regiões específicas, alterando seu comportamento. 'Isso é muito delicado, e cabe à sociedade discutir que uso será dado a essas novas ferramentas', pondera o neurorradiologista.
O conhecimento é bom, mas o cenário que ele desenha lembra momentos pouco inspirados da História, como os primórdios da Psiquiatria, com a onda de lobotomias e a política de higienização dos nazistas. Lembra também Minority Report, livro de ficção científica de Philip K. Dick, transformado em filme por Steven Spielberg, em que se prendia o assassino antes de ele cometer o delito. 'Vai haver uma grande polêmica, uma discussão ideológica com argumentos de nazismo para baixo', reconhece Oliveira. 'Mas a possibilidade de identificar precocemente um psicopata é reconfortante para o cidadão normal, que sai para trabalhar e quer voltar vivo para casa.'
''A família adoece'' O depoimento do pai de uma psicopata comunitária
''Tenho três filhas, e todas foram criadas nos melhores colégios do Rio de Janeiro, com amparo religioso. A do meio ia muito bem até entrar na faculdade. Largou um curso, começou outro, que largou também. Saía à noite todo dia, bebia, levava multas de trânsito, punha os pontos na carteira de todo o mundo. Também não queria saber de trabalhar. Inventou de morar num sítio, e eu achei que era um momento de crescimento pessoal dela, de independência. Mas depois tive de resgatá-la, pois só participava de raves e se drogava. Voltou a morar aqui, vivia de biscate e de baladas. Acordava todo dia às 3 da tarde. Uma vez, trouxe dois pivetes de rua para casa. Colocou em risco a vida de todos nós. Eu resolvi tirar o carro dela e aí ela ficou agressiva comigo. Ela sempre se irrita quando eu a contrario. Procuramos os Narcóticos Anônimos, psicoterapia, tudo, para ver onde tínhamos errado. Fomos vendo que independia de nós. Nossas outras filhas têm vida normal. A do meio se acha normal, diz que a sociedade é que é complicada. Agora estamos tentando outro tratamento. Fiquei assustado com o diagnóstico de psicopata comunitária, porque ela é muito doce e cativante. Mas aceito qualquer coisa que possa reverter esse quadro.''
#Q:Os comportamentos agressivos-violentos:#
TIPOS DE COMPORTAMENTO AGRESSIVO-VIOLENTO
Todo o mundo sente raiva, é agressivo ou perde o controle de vez em quando. O que diferencia a pessoa normal da psicopata são a intensidade e a freqüência das crises, a desproporção entre o motivo da explosão e a violência da reação. Os comportamentos ao lado são síndromes (conjuntos de sintomas) que podem ter diversas causas - de uma simples noite maldormida a depressão. Mas, nos casos extremos, indicam psicopatia
1) Síndrome de descontrole episódico: o sujeito tem pavio curto, rompantes que podem ser motivados por coisas tão irrelevantes quanto uma colher que cai no chão. Durante o surto, ele perde o controle, grita, ofende, vai na ferida, é mordaz. É capaz de agressão física e até de matar alguém. Depois da crise fica cansado, envergonhado, moralmente arrasado. No caso das mulheres, há um subtipo, o descontrole verbal episódico: elas falam sem parar, de forma agressiva. Também chamado de distúrbio exclusivo intermitente, antes era conhecido como embriaguez patológica, porque a crise pode ser deflagrada por pequenas doses de álcool. Há tratamento com inibidores de recaptação de serotonina (drogas da família do Prozac).Exemplos: Renato Mendes, vivido por Fábio Assunção, em Celebridade; pitboys, que não necessariamente procuram briga, mas reagem violentamente por muito pouco
2) Indivíduo continuamente agressivo: encrenqueiro, tende a reagir com agressão a tudo. É um perigo no trânsito, porque procura confusão, provoca, pode até matar. Esse tipo e o descontrolado episódico são passionais: seus atos são profundamente carregados de ódio e ira.Exemplos: skinheads (foto) e integrantes de gangues, que saem procurando briga
3) Agressividade fria: é o comportamento do psicopata clássico, capaz de cometer atrocidades sem nenhum medo, culpa nem remorso. Calculista, premedita seus crimes. É sádico, tem prazer na dor do outro.Exemplos: Fernandinho Beira-Mar, Elias Maluco (foto), Nero, Calígula, Bonnie & Clyde
4) Irritação defensiva: ocorre quando a pessoa tem dor ou dorme mal, por exemplo, e responde de forma ríspida a qualquer estímulo. É o padrão mais freqüente de agressão. Pode ser sintomático de uma distimia, uma depressão contínua e discreta. Chamada também síndrome do mau humor crônico. Tratável com antidepressivos.Exemplo: o Zangado da Branca de Neve

Psicopata Emocionalmente Insensível

Emocionalmente Insensíveis
Muitas das características da personalidade dos psicopatas poderiam ser explicadas por déficits emocionais. Por exemplo, eles têm pouco afeto com os outros, são incapazes de amar, não ficam nervosos facilmente e não mostram remorso ou vergonha quando eles abusam de outras pessoas. Assim, os cientistas têm feito hipóteses há muito tempo que os psicopatas têm uma deficiência em suas reações aos estímulos evocadores do medo, e esta seria causa de sua insensibilidade e também de sua incapacidade de aprender pela experiência.
Muitos experimentos com indivíduos sociopatas têm sugerido que isto é verdade. Um destes experimentos colocou agressores criminosos com alto nível de distúrbio de personalidade sociopática observando projeções de slides com figuras com diferentes conteúdos emocionais. Enquanto olhavam para as imagens, eles eram assustados subitamente, com sons inesperados. Quando pessoas normais estão vendo imagens agradáveis, a resposta de susto (um piscar de olhos) é de menor magnitude do que quando as imagens são desagradáveis ou estressantes (representando agressão, sangue, horror, etc). Imagens neutras têm uma resposta de susto no ponto intermediário daquelas de prazer e desprazer. O que acontece com sociopatas criminosos? Eles têm exatamente o padrão oposto: piscam menos os olhos em resposta ao barulho quando estão assistindo imagens estressantes ! Entretanto, somente os sociopatas que tinham uma característica de indiferença emocional mostraram este fenômeno. Isto poderia ser explicado por uma falta de reatividade nestes agressores.
Em outro experimento, os cientistas registraram respostas fisiológicas de agressores criminosos sociopatas quando viam imagens estressantes, ou quando processavam palavras com alto conteúdo emocional. Os parâmetros fisiológicos registrados são os mesmos que os nos aparelhos de "detectores de mentiras"
A frequência cardíaca (isto é, quantas batidas por minuto, registradas na forma de curva em função do tempo). Estímulos que provocam medo ou stress eliciam um aumento na frequência cardíaca em indivíduos normais;
Reação galvânica da pele. A resistência elétrica da pele de certas regiões do corpo (por exemplo, a palma da mão) é afetada por sudorese emocional (ela aparece somente quando a pessoa está nervosa, mas não quando está com calor, como no suor normal: é por isso que falamos que uma pessoa está com as "mãos suadas" quando ela está mentindo).
Frequência respiratória: também é afetada pelo estímulo emocional, tornando-se mais rápida e mais superficial.
Os psicopatas não mostram alteração nestes parâmetros quando são submetidos ao stress ou a imagens desagradáveis. Estas alterações também não aparecem quando os sujeitos são avisados antecipadamente por um flash de luz quando eles vão receber um estímulo estressante (por exemplo, um desagradável sopro de ar em suas faces). Esta é a razão porque os sociopatas mentem tão bem e porque eles não são detectados pelos equipamentos de detecção de mentiras.
Entretanto, tudo isto não significa que os sociopatas não tenham emoções. Eles têm, mas em relação a eles mesmos, não em relação aos outros. De fato, tais indivíduos são incapazes de sentirem emoçoes "sociais" tais como simpatia, empatia, gratidão, etc. Isto pode explicar porque os sociopatas são tão desejosos de inflingir sofrimento e dor em outras pessoas sem sentir qualquer remorso. Para eles, as emoções de outras pessoas não têm qualquer importância; eles são "incapazes de construir uma similitude emocional do outro".
Quais são os tipos de emoções que o sociopata tem? Aparentemente, eles reagem a tudo, e rapidamente, com sentimentos agressivos, são muito irritáveis e também sensíveis a qualquer coisa que provoque vergonha ou humilhação. Com relações às emoções positivas, eles obtém prazer através da sensação de dominância e sentem satisfação por isto.
O Erro de Descartes
Antonio Damasio, um neurologista americano-português, já citado por nós na introdução, tem uma teoria que poderia explicar porque pacientes com distúrbios provocados por lesões no cérebro frontal ventromedial (e, por extensão, sociopatas) têm estes problemas emocionais. Ele a chamou de a "hipótese do marcador somático", que tem mais ou menos a seguinte forma:
Indivíduos normais ativam os chamados "estados somáticos" (alterações na frequência cardíaca e respiração, dilatação das pupilas, sudorese, expressão facial, etc.) em resposta à punição associada às situações sociais. Por exemplo, uma criança quebra alguma coisa valiosa e é punida severamente por seus pais, evocando estes estados somáticos. Da próxima vez que ocorrer uma situação similar, os marcadores somáticos são ativados e a mesma emoção associada à punição é sentida. De modo a evitar isto, a criança suprime o comportamento indesejado.
De acordo com o Dr. Damásio, pessoas com danos no lobo frontal são incapazes de ativar estes marcadores somáticos. Ele diz: "isto deprivaria o indivíduo de um dispositivo automático para sinalizar consequências deletérias relativas a respostas que poderiam trazer a recompensa imediata". Isto explica também porque os sociopatas e pacientes com danos no lobo pré-frontal mostram poucas respostas autonômicas a palavras condicionadas socialmente e imagens com conteúdo emocional, mas têm respostas normais a estímulos incondicionados como outras pesquisas do Dr. Damasio mostraram.

O Cérebro do Psicopata

Cérebro do Psicopata
Renato M.E. Sabbatini, Ph
Almas Atormentadas, Cérebros Doentes
[A hipótese do cérebro frontal Imagens da violência Conclusões Próximo]
Por que os sociopatas têm estas características? Os seus cérebros são diferentes daqueles das pessoas normais? Eles exibem alterações patológicas?
Muitos estudos têm mostrado nos últimos 20 anos que assassinos e criminosos ultraviolentos têm evidências precoces de doença cerebral. Por exemplo, em um estudo, 20 de 31 assassinos confessos e sentenciados possuiam diagnósticos neurológicos específicos. Alguns dos presos tinham mais que um distúrbio, e nenhum sujeito era normal em todas as esferas. Entre os diagnósticos, estavam a esquizofrenia, depressão, epilepsia, alcoolismo, demência alcoólica, retardamento mental, paralisia cerebral, injúria cerebral, distúrbios dissociativos e outros. Mais de 64% dos criminosos pareciam ter anormalidades no lobo frontal. Quase 84% dos sujeitos tinham sido vítimas de severo abuso físico e/ou sexual. O grupo de assassinos incluiu membros de gangues, sequestradores, ladrões, assassinos seriais, um sentenciado que tinha matado seu filho pequeno, e outro que assassinara seus três irmãos.
Em outro estudo realizado no Canadá em 1994, no grupo mais violento de 372 homens presos em um hospital mental de segurança máxima, 20 % tinham anormalidades focais temporais do EEG, e 41% tinham alterações patológicas da estrutura do cérebro no lobo temporal. As taxas correspondentes para o resto do grupo violento foram de 2.4 % e 6.7 %, respectivamente, sugerindo assim um papel importante para os danos neurológicos na gênese das personalidades violentas, em uma proporção de 21:1 para agressivos habituais, e de até 4:1 (quatro vezes mais que na população normal), no caso de agressivos incidentais (uma única vez). O estudo conclui: "nós propomos que, embora tais discrepâncias não sejam suficientes para confirmar a neuropatologia como uma causa univariada da agressão criminosa, também não é razoável supor que sejam meram artefatos do acaso."
De acordo com os autores Nathaniel J. Pollone e James J. Hennessy, "Vários estudos em um período de mais de 40 anos sugeriram uma incidência relativamente alta de neuropatologia entre os criminosos violentos, muitas vezes acima daquele encontrado na população em geral, em taxas que excedem de 31:1 no caso de homicidas acidentais." (35 Annual Meeting of the Academy of Criminal Justice Sciences, Albuquerque, NM, 14 março, 1998).
Ainda que este tenha sido sempre um assunto muito controvertido, muitos pesquisadores acham que existem fortes argumentos à favor de um substrato da doença cerebral presente em criminosos violentos; e que isto tem consequências importantes para muitas coisas, desde do ponto de vista da lei, até a perspectiva de uma prevenção efetiva e do tratamento da sociopatia.
A Hipótese do Cérebro Frontal
Como os indivíduos sociopatas têm alterações marcantes em relação aos outros seres humanos, é natural que se devesse investigar primeiro se a parte do cérebro que é responsável por este tipo de comportamento também teria alguma anormalidade significativa.
Muitos comportamentos associados às relações sociais são controlados pela parte do cérebro chamada lobo frontal, que está localizado na parte mais anterior dos hemisférios cerebrais. Todos os primatas sociais desenvolveram bastante o cérebros frontal, e a espécie humana tem o maior desenvolvimento de todos. Auto-controle, planejamento, julgamento, o equilíbrio das necessidades do indivíduo versus a necessidade social, e muitas outras funções essenciais subjacente ao intercurso social efetivo são mediadas pelas estruturas frontais do cérebro (veja o artigo da dra. Silvia Cardoso "A Arquitetura Externa do Cérebro" na revista Cérebro & Mente para entender o que é o cérebro frontal).
As principais subdivisões do encéfalo humano. As áreas frontais incluem o lobo frontal (sua porção anterior é chamada de área pré-frontal), o córtex motor (responsável pelo controle voluntário do movimento muscular) e o córtex sensorial (que recebe a informação sensorial vinda principlamente do tato, vibração, dor, propriocepção e sensores de temperatura). Existem áreas separadas para olfação, gosto, visão e audição. A área de Broca é uma área especializada, responsável pela expressão motora da fala.
Há muito tempo que os neurocientistas sabem que as lesões desta parte do cérebro levam a déficits severos em todos estes comportamentos. O uso abusivo da lobotomia pré-frontal como uma ferramenta terapêutica pelos cirurgiões em muitas doenças mentais nas décadas de 40 e 50, forneceu dados mais que suficientes aos pesquisadores para implicar o cérebro frontal na gênese das personalidades antissociais (veja meu artigo sobre a história da psicocirurgia na segunda edição da Cérebro & Mente.
Ilustração da leucotomia transorbital, uma operação cirúrgica que foi amplamente utilizada nos anos 50 para executar lobotomia pré-frontal em muitos tipos de doença mental. Desenvolvido pelo neurocirurgião americano Walter Freeman, ela consistia em inserir uma lâmina no teto ósseo de uma das órbitas usando um martelo e anestesia local. O movimento da lâmina lesava conexões importantes entre as áreas frontais e o resto do cérebro.
Existem muitos exemplos de pessoas que adquiriram personalidades sociopáticas devido a lesões patológicas do cérebro, tais como tumores. Por exemplo, um estudo de caso em 1992 descreveu um paciente que desenvolveu alterações de personalidade, as quais se assemelhavam fortemente a um distúrbio de personalidade antissocial, após a remoção cirúrgica de um tumor na glândula hipófise, o qual provocou danos a uma parte do lobo frontal chamado córtex órbito frontal esquerdo. Neste caso, testes neuropsicológicos e de personalidade não revelaram qualquer déficit cognitivo ou psicopatologia.
Antonio and Hanna Damasio, dois notáveis neurologistas e pesquisadores da Universidade de Iowa, investigaram na última década as bases neurológicas da psicopatologia. Eles mostraram em 1990, por exemplo, que indivíduos que tinham se submetido a danos do córtex frontal ventromedial (e que tinham personalidades normais antes do dano) desenvolveram conduta social anormal, levando a consequências pessoais negativas. Entre outras coisas, eles apresentaram tomada de decisões inadequadas e habilidades de planejamento, as quais são conhecidas por serem processadas pelo lobo frontal do cérebro.

Reconstrução computadorizada da destruição do cérebro de Phineas Gage pela barra de ferro.
Os Damasios também reconstituíram neurológicamente o primeiro caso conhecido de alteração de personalidade devido a uma lesão frontal no cérebro, observado no século XIX. Phineas Gage, um supervisor de obras ferroviárias, perdeu parte de seu cérebro com uma barra de ferro que atravessou seu crânio quando uma carga explosiva foi colocada acidentalmente (veja meu artigo sobre este caso na revista Cérebro & Mente e também o website que registra o 150o. aniversário do acidente). Ele sobreviveu por muitos anos ao extenso trauma, mas tornou-se uma pessoa inteiramente nova, abusiva e agressiva, irresponsável e mentirosa, incapaz de imaginar e planejar, e completamente diferente de sua formação (de acordo com um contemporâneo, "Phineas não é mais o Phineas").
Baseado em uma sofisticada reconstrução computadorizada da possível extensão do dano cerebral, Gage parece ter sofrido uma lesão no córtex frontal ventromedial, em um lugar muito similar àqueles dos modernos pacientes de Damásio.
Por que o cérebro frontal parece ser tão importante na gênese de indivíduos antissociais?
Uma hipótese provável é que quando não existe punição, ou quando a pessoa é incapaz de ser condicionada pelo medo, devido a uma lesão no córtex órbito-frontal, por exemplo, ou devido a baixa atividade neural nesta área, então ele desenvolve uma personalidade antissocial.
Pesquisas com animais têm mostrado que o córtex órbito-frontal direito está envolvido no medo condicionado. Por exemplo, quando um rato é punido com um choque elétrico cada vez que uma luz pisca em sua gaiola, ele sente medo, por associar aquele estímulo à punição. Seres humanos normais aprendem muito cedo na vida a evitar comportamentos antissociais, porque eles são punidos por isso e também porque eles possuem circuitos cerebrais para associar o medo da punição (sentimento da emoção) à supressão do comportamento. Este parece ser um elemento chave no desenvolvimento da personalidade.
Felizmente, temos agora uma maneira mais direta de visualizar a função cerebral, e que tem conduzido a uma notável explosão em nosso conhecimento sobre o funcionamento interno do cérebro do psicopata nos últimos dois ou três anos: a tomografia PET.
Imagens da Violência
Imagens funcionais do cérebro, tais como aquelas produzidas por PET (positron emission tomography) têm sido usadas para corroborar a existência de déficits neurológicos no lobo frontal em sociopatas. O PET obtém seções transversais do cérebro reconstruídas por computador, mostrando em cores vívidas o nível da atividade metabólica de neurônios. Isto é conseguido injetando-se moléculas de glicose marcadas radioativamente no sangue de pacientes e observando o quanto dele é incorporado em células cerebrais vivas. Quanto mais ativas são as células (quando elas estão processando informação, por exemplo), mais intensa é a imagem naquele ponto (veja meu artigo "PET: Uma Nova Janela para o Cérebro", na revista Cérebro & Mente, para entender melhor como funciona esta técnica).

O equipamento de Tomografia por Emissão de Pósitrons (PET) obtém imagens seccionais do cérebro vivo, usando cores para representar o grau de atividade. Crump Institute for Biological Imaging, University of California, Los Angeles.
Usando o PET, o pesquisador médico americano Adrian Raine e colegas estudaram assassinos, com resultados surpreendentes. Eles encontraram que 41 assassinos tinham um nível muito diminuído do funcionamento cerebral no córtex pré-frontal em relação às pessoas normais, indicando um déficit relacionado à violência. Em outras palavras, mesmo quando nenhuma alteração patológica visível era apresentada, o dano frontal era aparente, através de uma atividade anormalmente baixa do cérebro naquela área. "O dano nesta região cerebral", notou Raine, "pode resultar em impulsividade, perda do auto-controle, imaturidade, emocionalidade alterada, e incapacidade para modificar o comportamento, o que pode facilitar atos agressivos". Outras anormalidades observadas pelo estudo de PET do cérebro de assassinos incluiu um metabolismo neural reduzido no giro parietal superior, giro angular esquerdo, corpo caloso, e assimetrias anormais de atividade na amígdala, tálamo, e lobo temporal medial. É provável que estes efeitos sejam relacionados à violência e criminalidade; pois algumas destas estruturas fazemo parte do chamado sistema límbico, que processa emoções e comportamento emocional (por favor, veja "Sistema Límbico: O Centro das Emoções" na Cérebro & Mente)
Um aspecto interessante da pesquisa do Dr. Raine é que ele correlacionou as imagens cerebrais de PET à história pessoal do assassino, afim de certificar-se se eles tinham sido submetidos a algum trauma psíquico, abuso físico ou sexual, abandono e pobreza, quando eles eram crianças (um ambiente deprivado para o desenvolvimento da personalidade). Entre os assassinos, 12 tinham sofrido abuso significativo ou deprivação (recebido maus tratos). Foi descoberto que assassinos vindos de lares deprivados tinham déficits muito maiores na área órbito-frontal do cérebro (14 % em média) do que pessoas normais e assassinos vindos de ambientes não deprivados.
Imagens PET do cérebro de uma pessoa normal (esquerda), um assassino com história de deprivação na infância (centro) e um assassino sem história de deprivação (direita). As áreas em vermelho e amarelo mostram uma atividade metabólica mais alta, e em preto e azul, uma atividade metabólica mais baixa. O cérebro de um sociopata (direita) tem uma atividade muito baixa em muitas áreas, mas que é fortemente ausente na área frontal (parte superior das imagens). Imagens de Adrian Raine, University of Southern California, Los Angeles, USA.
Os estudos iniciais controlados, realizados por Raine e colegas foram confirmados por uma série de investigações baseadas em PET com indivíduos sociopatas e criminosos violentos. Em um estudo em 1994, 17 pacientes com diagnóstico de distúrbio de personalidade foram submetidos ao PET. Os pesquisadores provaram que havia uma forte correlação inversa entre uma história de dificuldades de controle de agressividade durante toda a vida e o metabolismo regional no córtex frontal. Seis destes pacientes eram antissociais, o resto tinha vários distúrbios de personalidade (marginais, dependentes narcisistas). O PET foi usado novamente em 1995 para avaliar o metabolismo da glicose cerebral em oito sujeitos normais e oito pacientes psiquiátricos com história de comportamento repetitivo violento. Os autores obervaram que "sete dos pacientes mostraram amplas áreas de baixo metabolismo cerebral, particularmente no córtex pré-frontal e temporal medial quando comparado à sujeitos normais. Estas regiões têm sido implicadas como o substrato para agressão e impulsividade, e sua disfunção pode ter contribuído para pacientes com comportamento violento". Mais recentemente (1997), a tecnologia de imagens cerebrais por PET mostrou também que os psicopatas diferiram de não-psicopatas no padrão de fluxo cerebral relativo durante o processamento de palavras com coneteúdo emocional. As mudanças de personalidade adquiridas devido à injúria cerebral são também acompanhadas por uma diminuição na atividade neural na área frontal (veja figura abaixo).
Uma imagem PET de diminuição na atividade neural (parte superior das imagens) do cérebro de um paciente que sofreu trauma cranioencefálico (1A), e que desenvolveu mudanças de personalidade. A Figura 1B mostra um cérebro normal na mesma área. Brain Imaging Center, University of California, Irvine
Evidências indiretas do papel do córtex pré-frontal no comportamento psicopático vêm de outros experimentos. No Canadá, uma equipe liderada por Dominique LaPierre comparou 30 psicopatas a 30 criminosos não-psicopatas, usando testes que avaliam a função de duas partes do córtex pré-frontal: o órbito-frontal e as áreas ventromediais frontais. Os resultados mostraram que "os psicopatas eram prejudicados em todas as tarefas órbito-frontais e ventromediais", mas não na função de outras áreas do córtex frontal. As similaridades entre psicopatas e pacientes com dano de córtex pré-frontal apareceu em várias áreas do estudo. "Os psicopatas e pacientes órbito-frontais ou ventromediais mostram uma preocupação exagerada com parceiros sexuais, atuando de uma forma promíscua e impessoal", observaram os pesquisadores."Ambos são marcantes quanto à sua falta de julgamento ético e social. Ambos negligenciam as consequências a longo prazo de suas ações, escolhendo a gratificação imediata ao invés de um planejamento cuidadoso".
Conclusões
Em resumo, ainda que muitos destes resultados devam ser tomados com cuidado, todos eles convergem para uma importante descoberta: a de que os cérebros de criminosos violentos e sociopatas são na verdade alterados de maneira sutil, e que este fato pode agora ser revelado por novas técnicas sofisticadas. Uma consideração importante é que o comportamento humano é extremamente complicado e o resultado de uma interação de muitos fatores sociais, biológicos e psicológicos. "Existem muitos fatores envolvidos no crime. A função cerebral é apenas uma delas", diz o Prof. Adrian Raine. "Mas, ao entendermos a sua função cerebral, estaremos em uma melhor posição para entender as causas completas do comportamento violento".
Outra desvantagem dos estudos retrospectivos (isto é, feitos após o distúrbio aparecer em indivíduos estudados), é que é difícil separar causa da consequência. Em outras palavras, será que o déficit cerebral observado é a causa da anormalidade psicológica ou apenas o seu resultado?. Além disso, os resultados são ainda preliminares e não dão credibilidade ao uso destes métodos de neuroimagem e avaliação da função para "diagnosticar" indivíduos em risco de sociopatia; deste modo eles não devem ser usados para propósitos clínicos ou forenses no presente estágio.
Portanto, existe razoável evidência que os os sociopatas têm uma disfunção do cérebro frontal. Porque e quando esta disfunção aparece ainda é totalmente desconhecido, até agora.

Psicopatologia

Psicopatologia
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
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Psicopatologia é um termo que se refere tanto ao estudo dos estados mentais patológicos, quanto à manifestação de comportamentos e experiências que podem indicar um estado mental ou psicológico anormal. O termo é de origem grega; psykhé significa espírito e patologia, estudo das doenças, seus sintomas. Literalmente, seria uma patologia do espírito.
A psicopatologia enquanto estudo das anormalidades da vida mental é às vezes referida como psicopatologia geral, psicologia anormal, psicologia da anormalidade e psicologia do patológico. É uma visão das patologias mentais fundamentada na fenomenologia (no sentido de psicologia das manifestações da consciência), em oposição a uma abordagem estritamente médica de tais patologias, buscando não reduzir o sujeito a conceitos patológicos, enquadrando-o em padrões baseados em pressupostos e preconceitos.
Karl Jaspers, o responsável por tornar a psicopatologia uma ciência autônoma e independente da psiquiatria, afirmava que o objetivo desta é "sentir, apreender e refletir sobre o que realmente acontece na alma do homem".
Para Jaspers, a psicopatologia tem por objetivo estudar descritivamente os fenômenos psíquicos anormais, exatamente como se apresentam à experiência imediata, buscando aquilo que constitui a experiência vivida pelo enfermo.
A psicopatologia se estabelece através da observação e sistematização de fenômenos do psiquismo humano e presta a sua indispensável colaboração aos profissionais que trabalham com saúde mental, em especial os psiquiatras, os psicólogos e os assistentes sociais, dentre outros.
Autores como Jaspers ("Psicopatologia geral", 1913) e E. Minkowski ("Tratado de psicopatologia",1966) devem nos inspirar ainda a que estabeleçamos uma ponte possível entre a psicopatologia descritiva e a fenomenológica. Diferentemente de outras especialidades médicas, em que os sinais e sintomas são ícones ou índices, a psiquiatria trabalha também com símbolos. Posto isso, o pensamento, a sensibilidade e a intuição ainda são, e sempre serão, o instrumento propedêutico principal do psiquiatra, pois que, sem a homogeneidade conceitual do que seja cada fato psíquico não há, e não haverá, homogeneidade na abordagem clínico-terapêutica do mesmo. Essa é a nossa tarefa: mergulhar nos fenômenos que transitam entre duas consciências, a nossa, a do psiquiatra/pessoa e a do outro, a do paciente/pessoa. Deixar que os fenômenos se fragmentem, que suas partes confluam ou se esparjam, num movimento próprio e intrínseco a eles. Cabe-nos a leitura da configuração final desse jogo estrutural, sem maiores pressupostos ou intencionalidade, e com procedimentos posteriores de verificação. Essa é a tarefa da Fenomenologia.

[editar] Grupos ou categorias
As manifestações psicopatológicas podem ser classificadas de diversas maneiras, por etiologia a exemplo das orgânicas e psicológicas por tipo de alteração a exemplo da neurose e psicose que considera a relação com a consciência perda de contato com a realidade na concepção psicanalítica desta, etc. A categoria de classificação possui fins estatísticos ou seja de tabulação de prontuários médicos, atestados, declarações de óbito entre as mais conhecidas estão o CID Classificação Internacional das Doenças e de Problemas relacionados à Saúde que está na 10ª revisão e se inciou em 1893 e o DSM referente ao Manual Diagnóstico e Estatístico de Desordens Mentais, uma publicação da American Psychiatric Association, Washington D.C., sendo a sua 4ª edição conhecida pela designação “DSM IV”.
O capítulo V do CID corresponde aos Transtornos Mentais e Comportamentais e inclui as seguintes categorias de classificação - que por sua vez são subdividios em sub-categorias:
F00-F09 - Transtornos mentais orgânicos, inclusive os sintomáticos. ver F00-F03 Demência
F10-F19 - Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de substancias psicoativas.
F20-F29 - Esquizofrenia, transtornos esquizotípicos e delirantes.
F30-F48 - Transtorno do humor (afetivos).
F40-F48 - Transtornos neuróticos, transtornos relacionados com o stress e transtornos somatoformes. ver: F40-F41 Ansiedade
F50-F59 - Síndromes comportamentais associadas com distúrbios fisiológicos e a fatores físicos. ver: F50.0 Anorexia, F50.2Bulimia
F60-F69 - Transtorno de personalidade e do comportamento do adulto. ver: F60.2 Personalidade dissocial
F70-F79 - Retardo Mental. ver também: Oligofrenias
F80-F89 - Transtornos do desenvolvimento psicológico ver: F84.2 Síndrome de Rett
F90-F98 - Transtornos do comportamento e transtornos emocionais que aparecem habitualmente na infância e adolescência. ver: F90 Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade
Observe-se que várias categorias de classificação podem ser desenvolvidas a partir dos critérios fornecidos por distintas teorias como por exemplo a fenomenologia que propõem a descrição a partir das manifestações observáveis ou a psicanálise que lida com modelos de relação do ego com os mecansimos inconscientes do desejo e a realidade.Psicopatologia
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Psicopatologia é um termo que se refere tanto ao estudo dos estados mentais patológicos, quanto à manifestação de comportamentos e experiências que podem indicar um estado mental ou psicológico anormal. O termo é de origem grega; psykhé significa espírito e patologia, estudo das doenças, seus sintomas. Literalmente, seria uma patologia do espírito.
A psicopatologia enquanto estudo das anormalidades da vida mental é às vezes referida como psicopatologia geral, psicologia anormal, psicologia da anormalidade e psicologia do patológico. É uma visão das patologias mentais fundamentada na fenomenologia (no sentido de psicologia das manifestações da consciência), em oposição a uma abordagem estritamente médica de tais patologias, buscando não reduzir o sujeito a conceitos patológicos, enquadrando-o em padrões baseados em pressupostos e preconceitos.
Karl Jaspers, o responsável por tornar a psicopatologia uma ciência autônoma e independente da psiquiatria, afirmava que o objetivo desta é "sentir, apreender e refletir sobre o que realmente acontece na alma do homem".
Para Jaspers, a psicopatologia tem por objetivo estudar descritivamente os fenômenos psíquicos anormais, exatamente como se apresentam à experiência imediata, buscando aquilo que constitui a experiência vivida pelo enfermo.
A psicopatologia se estabelece através da observação e sistematização de fenômenos do psiquismo humano e presta a sua indispensável colaboração aos profissionais que trabalham com saúde mental, em especial os psiquiatras, os psicólogos e os assistentes sociais, dentre outros.
Autores como Jaspers ("Psicopatologia geral", 1913) e E. Minkowski ("Tratado de psicopatologia",1966) devem nos inspirar ainda a que estabeleçamos uma ponte possível entre a psicopatologia descritiva e a fenomenológica. Diferentemente de outras especialidades médicas, em que os sinais e sintomas são ícones ou índices, a psiquiatria trabalha também com símbolos. Posto isso, o pensamento, a sensibilidade e a intuição ainda são, e sempre serão, o instrumento propedêutico principal do psiquiatra, pois que, sem a homogeneidade conceitual do que seja cada fato psíquico não há, e não haverá, homogeneidade na abordagem clínico-terapêutica do mesmo. Essa é a nossa tarefa: mergulhar nos fenômenos que transitam entre duas consciências, a nossa, a do psiquiatra/pessoa e a do outro, a do paciente/pessoa. Deixar que os fenômenos se fragmentem, que suas partes confluam ou se esparjam, num movimento próprio e intrínseco a eles. Cabe-nos a leitura da configuração final desse jogo estrutural, sem maiores pressupostos ou intencionalidade, e com procedimentos posteriores de verificação. Essa é a tarefa da Fenomenologia.

[editar] Grupos ou categorias
As manifestações psicopatológicas podem ser classificadas de diversas maneiras, por etiologia a exemplo das orgânicas e psicológicas por tipo de alteração a exemplo da neurose e psicose que considera a relação com a consciência perda de contato com a realidade na concepção psicanalítica desta, etc. A categoria de classificação possui fins estatísticos ou seja de tabulação de prontuários médicos, atestados, declarações de óbito entre as mais conhecidas estão o CID Classificação Internacional das Doenças e de Problemas relacionados à Saúde que está na 10ª revisão e se inciou em 1893 e o DSM referente ao Manual Diagnóstico e Estatístico de Desordens Mentais, uma publicação da American Psychiatric Association, Washington D.C., sendo a sua 4ª edição conhecida pela designação “DSM IV”.
O capítulo V do CID corresponde aos Transtornos Mentais e Comportamentais e inclui as seguintes categorias de classificação - que por sua vez são subdividios em sub-categorias:
F00-F09 - Transtornos mentais orgânicos, inclusive os sintomáticos. ver F00-F03 Demência
F10-F19 - Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de substancias psicoativas.
F20-F29 - Esquizofrenia, transtornos esquizotípicos e delirantes.
F30-F48 - Transtorno do humor (afetivos).
F40-F48 - Transtornos neuróticos, transtornos relacionados com o stress e transtornos somatoformes. ver: F40-F41 Ansiedade
F50-F59 - Síndromes comportamentais associadas com distúrbios fisiológicos e a fatores físicos. ver: F50.0 Anorexia, F50.2Bulimia
F60-F69 - Transtorno de personalidade e do comportamento do adulto. ver: F60.2 Personalidade dissocial
F70-F79 - Retardo Mental. ver também: Oligofrenias
F80-F89 - Transtornos do desenvolvimento psicológico ver: F84.2 Síndrome de Rett
F90-F98 - Transtornos do comportamento e transtornos emocionais que aparecem habitualmente na infância e adolescência. ver: F90 Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade
Observe-se que várias categorias de classificação podem ser desenvolvidas a partir dos critérios fornecidos por distintas teorias como por exemplo a fenomenologia que propõem a descrição a partir das manifestações observáveis ou a psicanálise que lida com modelos de relação do ego com os mecansimos inconscientes do desejo e a realidade.